A disputa pela Presidência da República poderá ter um reforço significativo de votos no Piauí durante o segundo turno das eleições de 2026. Uma simulação divulgada pelo portal Conecta Piauí aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria potencial para conquistar 214.639 votos adicionais no estado, caso consiga ampliar seu desempenho entre eleitores que não participaram da votação anterior ou optaram pelo voto nulo.
De acordo com os cálculos, Lula poderia elevar sua votação de 1.523.710 para 1.738.349 votos, atingindo aproximadamente 73,6% dos votos válidos em um cenário hipotético.
A projeção contempla os 224 municípios piauienses e considera a possibilidade de o presidente conquistar votos adicionais equivalentes a 10% do total de votos válidos registrados em cada cidade no primeiro turno.
O estudo, entretanto, não é uma pesquisa eleitoral e não identifica a preferência dos eleitores ausentes ou que anularam o voto. Trata-se de uma simulação matemática baseada em condições específicas.
Teresina concentra maior possibilidade de crescimento
A capital piauiense aparece como principal destaque da análise, com potencial de acrescentar 48.419 votos à votação de Lula.
No primeiro turno, o presidente recebeu 296.190 votos em Teresina. Pela simulação, esse número poderia alcançar 344.609, o equivalente a 64,7% dos votos válidos projetados.
O crescimento dependeria da conquista de parte dos 101.383 registros de abstenção e votos nulos contabilizados na capital.
Parnaíba ocupa a segunda posição em potencial de crescimento, com aproximadamente 9,6 mil votos adicionais. Picos, Piripiri e Floriano também aparecem entre os municípios com maiores acréscimos estimados.
Confira as dez cidades com maior crescimento projetado
| Município | Votos adicionais estimados |
|---|---|
| Teresina | 48.419 |
| Parnaíba | 9.594 |
| Picos | 4.541 |
| Piripiri | 3.854 |
| Floriano | 3.534 |
| União | 3.125 |
| Altos | 3.052 |
| Barras | 2.963 |
| José de Freitas | 2.939 |
| Campo Maior | 2.906 |
Os números fazem parte da simulação publicada pelo Conecta Piauí e não representam votos já conquistados pelos candidatos.
Mais de 530 mil registros de abstenção e votos nulos entram na análise
Um dos dados que mais chamam atenção é o contingente de eleitores que não compareceram às urnas ou anularam o voto para presidente no primeiro turno.
Segundo o levantamento, foram contabilizados 530.035 registros nessas duas categorias em todo o Piauí.
Para atingir o crescimento estimado de 214.639 votos, Lula precisaria obter votos equivalentes a aproximadamente 40,5% desse total, mantendo integralmente sua votação anterior.
O estudo também pressupõe que o adversário, Flávio Bolsonaro (PL), conservaria sua votação do primeiro turno, sem crescimento ou redução.
Na prática, o comportamento do eleitorado poderá ser diferente, inclusive com transferência de votos entre candidatos, novos votos nulos e mudanças no comparecimento.
Municípios do interior apresentam cenários distintos
Embora a metodologia utilize o mesmo critério proporcional em todas as cidades, o esforço necessário para alcançar o crescimento estimado varia conforme o número de abstenções e votos nulos.
Em Picos, por exemplo, seria necessário conquistar votos equivalentes a 55,1% desse grupo. Em José de Freitas, o percentual seria de 52,6%, enquanto Altos exigiria 50,6%.
Em municípios como Assunção do Piauí e Guadalupe, a proporção necessária seria menor, de 21,5% e 25%, respectivamente.
Essa diferença demonstra que cidades com maior número de eleitores nem sempre apresentam as mesmas condições matemáticas de crescimento proporcional.
Participação eleitoral poderá influenciar resultado do segundo turno
A mobilização dos eleitores que ficaram fora da primeira votação aparece como uma das variáveis relevantes para o resultado presidencial no Piauí.
Os 50 municípios destacados no estudo concentrariam aproximadamente 64% dos votos adicionais estimados. Os outros 174 municípios responderiam pelos 36% restantes.
Apesar das projeções, não há garantia de que os eleitores ausentes ou que anularam seus votos optarão por Lula ou por qualquer outro candidato.
O segundo turno das eleições presidenciais está marcado para 25 de outubro, quando os brasileiros voltarão às urnas para decidir a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.
O resultado dependerá do comparecimento dos eleitores, da distribuição dos votos válidos e das escolhas efetivamente registradas nas urnas.